
Na primeira noite juntos viam apenas belezas. Ela colocava as mãos dele em sua bunda, tão escassa de carne, mas de onde ele tirava tudo o que precisava. O pescoço curto e grosso dele não a impedia de passar seus lábios finos por cada centímetro de pele. E os narizes avantajados não eram obstáculo para beijos que envolviam dentes tortos e bigodes, de ambos os lados.
Em suas imperfeições eram harmônicos. E isso fazia o desejo aumentar. Não se importavam com olhares, comentários feitos entre risinhos. Já estavam acostumados a conviver com aparências totalmente afastadas de padrões de beleza.
Juntos, sentiam-se fortes. Riam daqueles que corriam suados pela praia, que comiam apenas folhas no almoço, na tentativa de atrair alguém. Eles não precisaram disso.
Ela não foi a noiva mais linda. Ele não foi o príncipe dos sonhos. Não para os que viam. Mas eram, um para o outro, a personificação do amor. O que eles viam, ninguém mais enxergava. A aparência protegia aquele amor de invejas e cobranças. Ninguém perguntava sobre filhos. Tinham pena de imaginar os genes herdados pela criança.
Envelheceram juntos. Rugas nunca foram problemas. A atração sexual existia sim e nunca acabou. Nem de Viagra precisou. O amor nunca esteve ali na pele, nos músculos, na formação óssea, nos cabelos. O amor estava onde poucos vêem porque vivem distraídos com perfeições.
8 comentários:
Abaixo o padrão Rede Globo de beleza... Viva os narizes grandes como o meu...
Parabéns!! O texto é ótimo
putz, excelente.
divertido, bonito, amável. as descrições, ótimas. ri muito da parte do bebê, confesso. hehe.
no clima do seu comentário no meu blog: posso escrever a orelha?
:-D
que medo de encontrar esses dois à meia-noite...
adorei docinho, ri um tanto.
elisa
Curti não.
;-)
desculpaê.
.
Olha a chantagem...rsrs.
Mas eu gostei de todos até agora, tá.
;-)
e todo amor deveria ser dessa forma!
faz bastante sentido ;)
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