16.11.06

Sem pensar


Acordei pensando, pensando, pensando, cansada como se não tivesse dormido. Como se tivesse passado a noite inteira pensando, pensando. Acho que minha cabeça tem o maior HD do mundo. Cabe tanta coisa, tanta coisa, que pra ela ficar bem ocupada, tenho que enchê-la de informação.Quando tenho poucas coisas pra fazer e pensar, parece que os pensamentos tomam uma dimensão grande, incham, inflam e recebem mais atenção do que deveriam. É um perigo isso. Começo a pensar besteiras de todos os tipos e desenvolver assuntos que não têm que ser desenvolvidos.

Eu não gosto de nada complicado, não acredito que por trás de tudo que alguém diz ou faz exista outro significado. Não fico procurando duplo sentido em tudo que leio e escuto. Mas ser simples é difícil quando eu tenho espaço demais pra pensar. Porque acabo destrinchando demais as coisas. E aí fico chata, questionadora, implicante, querendo explicação pra tudo. Quem sofre mais são as pessoas que mais amo. É uma covardia isso, mas é histórico. Descarregar qualquer coisa em que mais amo é um defeito vergonhoso e que juro, venho lutando contra faz tempo. Com bons resultados. Falei que é covardia, porque brigar com quem gosta da gente é ter a garantia da desculpa. É esperar compreensão de volta. Fora que me parece uma busca desesperada por atenção.

Quando minha cabeça fica vazia, eu começo a procurar defeitos. Encaro o espelho e vejo imperfeições inaceitáveis, temíveis. Onde existem as usuais celulites e estrias, vejo deformidades que nem os melhores maquiadores hollywoodianos poderiam reproduzir.
Preciso encher a cabeça de ocupações. Divagando sou um perigo. Leio as entrelinhas quando elas não existem.

Difícil foi enxergar isso tudo e questionar: será que minhas reclamações conferem ou estou perdendo a razão? Se estivesse com problemas de verdade, estaria colocando chifre em cabeça de cavalo? Com certeza não. Piora quando, além de reclamar, grito, xingo e perco a razão. Mesmo estando com a razão. E aí, fico ainda mais nervosa, porque mesmo argumentando, vão achar que é apenas mais um piti.

Ainda não levantei da cama. Preguiça, vontade de não fazer nada. O gato entra no quarto e me olha com carinha de quem quer ser levado pra passear na varanda. Meu peixe olha pra mim querendo comida. Como é fácil vida de bicho. Acho que quero ser gato na próxima vida.

Ilustração do Galvão: www.vidabesta.com

5 comentários:

Anônimo disse...

no começo, jurava q era titia. só no final vi que era você, mamãe...

Duas disse...

se penso demais faço besteira ou não me arrisco.

e gato você não é. mas é gata :)

Bruno R. disse...

isso me lembra vanilla sky. era algo como "in another life, when we were both cats". não sei se é isso. mas é quase.
enfim, "pensar enlouquece. pense nisso." (nome de um blog q eu lia muito tempos atrás, bem bacana).
que coisa.

ah, elisa. não fique achando q não me deu atenção direito no shopping aquele dia, viu? vc foi a pessoa fofa de sempre hehe.

beijo pras duas!

José Arnaldo disse...

A vida é assim mesmo, né. Nunca estamos satisfeitos, se estamos vazios queremos encher, e quando a coisa enche dá uma saudade do vazio...

Equilíbrio.

bjs,

Anônimo disse...

Meus amores, na maior parte das vezes fico confusa sem saber quem escreveu o que. Dessa vez o peixe me ajudou.
ADORO tudo que voces escrevem.
Beijos quase ao vivo (contagem regressiva)
Lindinha