19.3.07

Algo bom

Cansei de me sentir pequena, de olhar pra trás e ver nada. Me sinto inútil e estúpida por ter pisado em tanto que plantei. Tanto falo em medir conseqüências, que diabos sei disso? Sempre que penso ter aprendido meus limites, me pego pisando na linha e tendo um déjà vu. Cometendo os mesmos pecados, reclamando da mesma coisa, magoando as mesmas pessoas e afastando elas de mim, numa tentativa subconsciente (que bom que alguma parte do cérebro ainda funciona) de colocar quem amo longe do perigo.

Sou tudo que condeno. Sou a mesmice, a mesquinharia, a água parada. Olho para trás e vejo quanta merda fiz achando ter feito a coisa certa. Não me arrependo, porque é assim que idiotas aprendem. Eles erram, erram, erram novamente até que um dia decidem pensar antes de agir. Sem arrependimento, mas com lamento. Magoar quem se ama deveria ser crime sujeito a penas legalizadas.

Por outro lado, tem também sua pequenez. Se não fosse sua falta de convites para festas, sua cara de desprezo quando me olha, o que seria de mim? Não finjo gostar de você e isso eu sei que é bom em mim. Posso cagar amizades, mas não quero agradar você em troca de um bom-dia dito entre os dentes. Pode guardar seus trocados pra quem sobrevive de sorriso amarelo. Pra quem engole suas grosserias, seu papinho de novo socialite em troca de jantares com gorgonzola, funghi secchi e um vinho do qual você finge entender.

Você fala como se tivesse nascido em berço de ouro, como se cagasse dólar. Você teve catapora, sarampo, diarréias, vomitou. Aposto que tem espinha na bunda, caspa. Você brincou na rua, chegou em casa sujo e não quis tomar banho. Foi criança como qualquer um, mas age como se tivesse nascido na posição em que está. Que espécie de pessoa apaga o passado? Menos mal que eu faço parte dele e sobrou borracha pra mim também.

Em boas maneiras, posso dizer que estou pouco me fudendo pro seu cargo na nova empresa, seu salário alto. Você é cada julgamento que faz, cruel, sarcástico, com uma ponta de inveja tão visível, mas que você pensa esconder bem, que dá medo de ver o resto. E se você ler isso, saiba que é a única manifestação de nojo que farei em sua homenagem, porque me recuso a perder tempo com sua vida. Deixo aqui, em algumas linhas, todo o espaço que você merece pra não ter que novamente tocar em seu nome ou deixar escapar um veneno quando alguém vier falar mal de você. Ah, sinto muito, esqueci de falar antes, as pessoas falam sim mal de você.

Posso ter meus problemas, perder a hora sempre, falar o que não devo. Posso não ser popular, escrever mal e me expor apesar disso. Posso levar a vida toda tropeçando em meus próprios pés, sem saber pra onde vou e muito menos o porquê. Mas se resta algo bom, se tem uma coisa que me faz acordar de manhã e sorrir com esperança, é saber que você não gosta de mim.
ilustração: www.vidabesta.com

15 comentários:

Bira disse...

E mais uma vez eu agradeço por não ser essa pessoa...rs
Ótimo texto, como sempre... só dicordo profundamente da parte em que diz que vc escreve mal...

everson disse...

Escrever isso deve ser como quebrar uma caixa de pratos Duralex!
Beijo

José Arnaldo disse...

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Consultório Sentimental da Elisa.

Está ficando cada vez melhor, hein...rs.

Bjs.

claudio disse...

vcs se conhecem bem hein?

Duas disse...

oi zé, dessa vez foi a val que escreveu.

bjo pra vc

elisa

Primo disse...

Eitcha.

Bruno R. disse...

ops, escorreu uma gotinha de ódio no meu monitor. ficou lindo.
:-)

José Arnaldo disse...

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Pô assim num vale. Vocês falam sobre o mesmo tema, ué. Ou mulher é tudo igual?...rs.



:^P

Duas disse...

nem tão iguais assim:)
os dois últimos textos tem raízes bem diferentes. o que fez ficarem parecidos, provavelmente, foi a forma como vc interpretou:)o que é legal tb, tá valendo:)
beijos, val.

Duas disse...

ops. os dois últimos textos têm...redatora de merda mesmo.

Anônimo disse...

auto flagelo...rs

Giovana disse...

"Olho para trás e vejo quanta merda fiz achando ter feito a coisa certa"... ah, meu Deus! Eu pensava nisso essa semana, como também me sinto idiota por coisas assim. E decidi que vou mudar, rs! Muito bom esse texto, juro por Deus que se vocês escreverem um livro, eu compro uns dez! Bjo!!

José Arnaldo disse...

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Vocês não podem negar, ou podem?, que o tema é praticamente o mesmo "morra bastardo, morra".

Ambos estão bem legais!

Bjs nas duas.


:^)

júlia disse...

este ódio é o melhor. é bom quando ele passa, daí a "malevolidade" se acentua! muito bom, moça! bjim!

Tati disse...

Acabei (há umas 2 horas, atrás, hahahah!) de encontrar o blog de vcs. Textos incríveis! Tô devorando :) Esse aqui caiu como uma luva sobre o meu "agora"...e ainda assim: sorriso na cara pela certeza de saber como é bom não desistir nunca de experimentar!